O desmatamento na Amazônia Legal caiu 49% nos primeiros três anos do governo Lula em relação ao período equivalente do governo anterior, segundo dados do Inpe. É um resultado expressivo que coloca o Brasil de volta ao centro das negociações climáticas internacionais.
Mas os números escondem complexidades que merecem análise mais cuidadosa.
O que explica a queda
Três fatores principais explicam a redução: o reforço da fiscalização pelo Ibama e pela Polícia Federal, com operações de grande visibilidade; a retomada do Fundo Amazônia, que voltou a financiar projetos de conservação após anos de paralisia; e a mudança no sinal político, que retirou o respaldo implícito que o governo anterior dava a desmatadores.
O terceiro fator é provavelmente o mais importante. Pesquisas mostram que o desmatamento ilegal é sensível à percepção de risco de punição — e essa percepção mudou significativamente.
Os limites da política
Apesar dos avanços, o desmatamento na Amazônia ainda está longe de zero. Em 2025, foram desmatados 6.800 km² — menos que os 11.500 km² de 2022, mas ainda muito acima da meta de 2030.
Mais preocupante é a situação no Cerrado, que não recebe a mesma atenção política e midiática que a Amazônia. O bioma perdeu 10.200 km² em 2025 — um aumento de 8% em relação ao ano anterior. O Cerrado abriga 5% da biodiversidade mundial e é o berço das principais bacias hidrográficas do país.